Alimentação das Aves e cuidados com os alimentos

O aspecto mais importante dos cuidados para se manter uma ave em cativeiro, é sem dúvida a alimentação. A alimentação das aves em vida natural é baseada na espécie de ave, no ambiente onde haja dominância da espécie, nas estações do ano, na população da região e disponibilidade de alimentos, fatores meteorológicos, fatores estressantes e saúde de cada ave. E tudo se altera em vida cativa.

Podemos dividir as aves em grupos na dependência do tipo de alimentação: 

1. insetívoras: comem insetos 
2. frugívoras: comem frutas 
3. granívoras: alimentam-se de sementes 
4. carnívoras: carne
5. piscívoras: peixes e crustáceos

Algumas aves podem ser restritas a um único grupo, mas outras, podem usufruir de vários alimentos, ou seja, ora são frugívoras, ora insetívoras, podemos dizer que algumas chegam a ser onívoras. Esta é uma observação realizada em vida livre, muito dependente da característica climática das estações do ano e disponibilidade de alimento e população local.

Em cativeiro, existem restrições provocadas pela própria criação. A facilidade de manejo alimentar, e de preparo do alimento, custo dos nutrientes e produtos comerciais, palatabilidade dos produtos, qualidade e quantidade de alimento oferecido, são fatores que regem a alimentação em cativeiro, porém sem detrimento das necessidades da espécie, apesar de nem sempre ser verdade. Existe muito tabu e muitas crenças na criação de aves. 

Em muitos criatórios, são criadas uma variedade grande de espécies de aves. Isto exige que a alimentação seja de fácil administração, para diminuir trabalho, mas que nunca deixe de ser adequada. Este é um ponto chave na criação em cativeiro, pois existe uma tendência em se homogeneizar o alimento para a facilidade de manejo, colocando poucas variações alimentares específicas de cada espécie.

O mercado de rações e alimentos para aves está crescendo a cada dia no Brasil, sendo restringido pelo preço, ou pela manutenção inadequada de estoques. Uma ave em criação não pode ter variação de alimentação, pois poderá comprometer a muda de pena, a reprodução e sua própria manutenção.

Uma característica das aves que vem sendo aplicada a nutrição em cativeiro, é o fato delas perceberem muito mais a cor dos alimentos do que o cheiro. Elas têm tendência a selecionar e ingerir a princípio, os alimentos mais coloridos e os grãos e pedaços maiores. E o bico em seu formato é a estrutura que comanda a seleção inicial deste alimento. O conhecimento da cavidade oral de cada espécie, em especial o bico, pode orientar na conduta alimentar mais correta.

Todo alimento é apreendido pelo bico e auxiliado pela língua. Sua deglutição ocorre sobre auxílio das secreções das glândulas da boca (sem fermento digestivo) .O alimento segue pela faringe e esôfago, até atingir o papo, ou segue diretamente ao pró-ventrículo. O papo é encontrado nos psitacídeos, passeriformes granívoros, columbiformes, e galiformes, sendo reduzido ou passageiro nos rapineiros, anatídeos e beija-flores. 
O papo está ausente nas demais aves. Descendo continuamente até pró-ventrículo, moela, estômagos químico e mecânico respectivamente. Passa então para intestino e os restos são eliminados pela cloaca. Estes detalhes já foram abordados no capítulo sobre anatomia e fisiologia do trato digestivo.

Em um trabalho elaborado pelo Zoológico do Rio de Janeiro em 1950, com relação a alimentação das aves em cativeiro neste zôo, observaram os seguintes dados gerais com relação a alimentação fornecida para todos os tipos de aves, além daquelas obtidas para alguns tipos de bico:

1. A abóbora crua não foi aceita por nenhuma ave com entusiasmo;
2. A aveia com casca, mesmo tolerada, provocou irritações leves de garganta, por sua ponta aguda;
3. Alho provocou tonteira em araras, talvez por seu odor forte e as aves granívoras o expeliram e os jacus comeram com voracidade;
4. Agrião, alface e chicória foram bem aceitos, exceto por aves noturnas e psitacídeos;
5. O açúcar provocou sede intensa, e foram bem aceitos por jacamins e jacus;
6. A banana foi uma fruta aceita por todas as aves frugívoras;
7. A batata doce cozida foi apreciada por todas as aves em detrimento da crua;
8. Cenouras são preferidas por psitacídeos;
9. A cebola foi procurada por poucas aves, que demonstraram inquietação, devido a irritação de garganta e olhos.

Deste trabalho ainda concluíram que:

1. Os alimentos devem ser frescos e em temperatura ambiente normal;
2. As aves com fome não descartam das vasilhas os alimentos deteriorados, deglutindo e passando mal posteriormente a ingestão. Os alimentos devem ser muito bem selecionados;
3. As vasilhas melhores para as aves foram as de louça e barro envernizados, em relação aos de metal, pois estes podem deixar um gosto de óxido;
4. A colocação do alimento no viveiro deve ser em local sombreado e fresco, protegidos do sol e chuva;
5. Para as aves aquáticas, marinhas e paludícolas (aves que habitam brejos e pântanos) o alimento deve ser colocado próximo à água, as vasilhas de peixe e camarão devem estar mergulhadas, e no verão este alimento deve ser dado em duas porções;
6. No verão aumentar a quantidade de alimentos hidratados (frutas e legumes), diminuindo os alimentos ricos em gordura e fécula. Já no inverno o processo ao contrário.

Algumas observações em nosso Criatório e que podem ser incluídas nesta lista:

1. Não se deve deixar alimentos úmidos amanhecer na gaiola, principalmente se sua base for milho e ovo. Quando há filhotes comendo este alimento, estes terão diarréia;
2. Milho fresco costuma fermentar em 2 horas no verão, devemos colocar pedaços de espiga de 2cm, e retirá-los em 2 horas; 
3. Sementes estão vivas e respiram liberando água neste processo. Elas devem ser revolvidas quando colocadas em vasilhas fechadas, para que ocorra evaporação desta água;
4. As sementes não devem ser lavadas, pois sabe-se que uma vez aumentando a umidade interna das sementes através de lavagens e falta de evaporação da água da respiração, esta umidade não será reduzida, nem mesmo com banhos de sol, ou aquecimento em forno. Além de destruirmos as suas características físicas e químicas naturais;
5. Não devemos estocar em casa, alimentos por mais de 15 dias a 1 mês, pois há altos riscos de contaminação por fungos e produção de micotoxinas. As micotoxinas não poderão ser destruídas pelo calor;
6. Ave doente deve receber alimento de fácil apreensão e digestão, e estar ao alcance rápido da ave;
7. A água que não for tratada ou encanada, deve sofrer tratamento prévio com fervura ou através do uso de hipoclorito de uso humano;
8. Água de torneira muito clorada provoca gastrite e enterites nas aves, devemos pois, deixar evaporando o cloro de um dia para outro em grandes baldes, para depois ser consumida pelas aves;
9. Verduras devem ser deixadas de molho em solução de cloro ou vinagre por 30 minutos antes de serem fornecidas para as aves;
10. Cortar as frutas removendo a área do talo, pois geralmente concentra muito mais agrotóxicos;
11. O tamanho dos grãos de uma ração é chamada de granulometria. Quando temos grãos de tamanhos variados, a granulometria é alta, e a ave seleciona os maiores. Rações ou misturas que contenham variados tamanhos de partículas, devem ser sempre misturada antes de ser retirada alguma amostra do pote de armazenagem. Partículas variadas fazem com que haja um desequilíbrio nutricional das aves, quando o manejo desta ração for inadequado. Muitas vezes temos que aconselhar que passem os alimentos farináceos no liqüidificador, para diminuir e homogeneizar o tamanho das partículas.

Uma ave doente, cansada ou desidratada por transporte ou stress, apresenta dificuldade em apreender os alimentos, ou apresentam falta de apetite pelo alimento rotineiro, ou tem dificuldade de quebrar as sementes e digeri-las. 

Sempre que possível, aconselhamos que seja fornecido um soro indicado para stress das aves, uma fonte de energia na água (glicose 25% ou 50%, frutose ou dextrose) que poderá ser dada no bico de 2 em 2 horas. E fornecer alimentos leves e macios (sem ovo, sem sementes etc., podendo ser dadas farinhadas, papinhas, sementes cozidas, frutas com Neston pulverizado por cima, arroz cozido sem sal ou óleo). Uma ave terá poucas chances de sobreviver após 6 a 24 horas sem alimentar-se ou beber líquidos ou frutas.

ALIMENTAÇÃO E ESTOCAGEM 

A ração deve ser muito bem balanceada, e a mistura, deve ter granulometria homogênea. Não deve ser estocada por mais de 15-30 dias. E sempre a estocagem deve ser em local totalmente seco, suspenso por estrado de madeira. Evitar ratos e outros animais na sala. E nunca colocar no mesmo local de criação. Usar vasilhames limpos para seu manejo. Averiguar sempre a qualidade, níveis nutricionais e ausência de micotoxinas. Á qualquer sintoma de doença, aconselhamos a troca imediata da ração até que seja descoberta a causa. O volume de alimento nos comedouros não deve passar de 1/3 de sua capacidade para ser evitado desperdícios. Complete o comedouro 2 ou 3 vezes por dia. Remova e limpe bebedouros e comedouros diariamente. Os bebedouros devem estar em uma altura equivalente às costas das aves.

CUIDADOS GERAIS

SEMENTES

Um dos grandes entraves da criação mundial de aves, tanto de Bicudos, como de outras espécies, é a qualidade das sementes. 
Denominamos de sementes aquelas que são ingeridas inteiras, como também a soja, o milho, o trigo que são processados para o consumo. Todas as sementes quando são colhidas antes do tempo correto (por causa do preço de mercado), ou em época úmida, estão sujeitas a atingir mais de 13% de umidade interna. Isto favorece um crescimento muito rápido dos fungos. 

Este aumento de umidade pode ser induzido por lavagens das sementes. Todos os fungos liberam seus metabólitos (excretas) no meio ambiente (sementes) , o que chamamos de micotoxinas. Estas micotoxinas, ou toxinas de fungos podem ser de diferentes tipos: aflatoxina liberada pelo aspergillus flavus ou A. fumigatus; acratoxina A e B liberada pelo A. ochracens; Zearalinona e a Trichothecena liberada pelo Fuzarium. São toxinas estáveis ao calor, ou seja, não adianta torrar o grão, colocar no forno ou no sol, pois ela não será destruída. O calor é capaz de destruir os fungos, mas as toxinas não, logo, as sementes, o milho e outros cereais, continuarão com as toxinas. 
Até hoje não se encontrou nenhuma forma de destruição destas micotoxinas. Uma vez ingerida pelo organismo da ave, ela será eliminada apenas 5 meses depois, e seu efeito, portanto é ***ulativo, lesando mucosa de pró-ventrículo, fígado, rins e sistema imune de forma irreversível e severo. 

Caso o criador insista em lavar as sementes, lembre-se, nunca lave uma quantidade que não possa ser consumida em 3 dias. Estas micotoxinas aparecem em sementes estocadas em local úmido, a estocagem em vasilhas inadequadas que não permitem a evaporação da umidade de respiração das sementes, predispondo a formação de micotoxinas, e em alimentos estocados na casa do criador por mais de 30 dias.

Quando as sementes estão secas é necessário manter as melhores condições de armazenamento. O período de estocagem é relativamente pequeno, podendo atingir apenas semanas ou alguns meses, mas às vezes existe a necessidade do estoque por anos, como são os casos de sementes para plantio. 
A deterioração das sementes está envolvida com o meio ambiente, principalmente quando temos a umidade relativa alta, altas temperaturas e chuvas na época da colheita. 

A soma destes fatores diminuem a viabilidade das sementes e seus estoque, agravado por muitos criadores com a lavagem das sementes antes da estocagem. A umidade relativa e temperatura de estocagem são os fatores mais importantes para deterioração das sementes. Secundariamente temos os fungos e insetos. As sementes permitem sua estocagem longa em produtos como farinhadas que na mistura não tenham mais que 10% de sementes. 

O metabolismo das sementes é extremamente baixo, mas neste estado de mistura, esta é hidrofílica, capaz de reter a água destas sementes. Misturas de sementes tem variação de umidade em relação a umidade relativa do ar, concluindo, o tempo de armazenamento de sementes não pode ser o mesmo em uma região árida do país em relação a uma região úmida. Os criadores tem que usar do bom senso e analisar sua situação particular. As temperaturas e umidade relativas ideais constam na tabela de relação umidade e temperatura.

Muitas são as formas de embalar sementes, sendo as mais recentes, feitas de uma mistura de laminados de dois ou mais materiais. A forma de armazenamento irá depender das condições gerais de temperatura, umidade, riscos de insetos, etc. que apresentam na criação. Dê preferência a não trocar as sementes das embalagens originais, e sempre armazenar em local adequado, ou seja seco, bem ventilado, sem odores de produtos químicos, aerar as sementes estocadas a cada manipulação e preferir embalagens que permitam a evaporação da água, papelão, sacos e laminados, quando a estocagem for feita por tempo prolongado em sua casa.

A compra de sementes em loja que tenham freguesia conhecida, e com movimento dinâmico, permite que você conheça o histórico de saúde das outras criações, e em relação aos estoques, a grande saída de produto favorece a renovação rápida.

Para limpar as cascas de sementes não assopre, use sempre máquinas, se a quantidade permitir, ou peneira. Caso manipule as sementes com peneira fina, use máscara cirúrgica, e exija que seu funcionário também use, pois a inalação da poeira e restos de palha destas sementes, quando inalados, irão se acumulando nos pulmões, causando problemas de insuficiência respiratória futura, e problema de justiça do trabalho, caso o funcionário alegue que teve que trabalhar sem aparatos de segurança. Nunca fazer esta limpeza perto das aves, pois o processo respiratório é o mesmo. Semente com muita poeira causa irritação do trato respiratório. Além disto, as máquinas de limpar sementes devem de preferência ter filtro, ou serem usadas em área ventilada.

ARMAZENAMENTO DE ALIMENTOS

O correto armazenamento de alimentos é fundamental para manutenção de uma boa alimentação das aves. Devem ser mantidas as condições de temperatura, higiene, rotatividade dos estoques e ventilação, para garantir seus prazos de validade. Não seguir estas normas, significa ter problemas de apodrecimento de alimentos, alimentos impróprios para consumo, descoloração, fungos e infestação por insetos e roedores.

Devemos deixar em área separada os alimentos secos e enlatados, cereais, farinha, açúcar, bolachas e outros produtos não perecíveis. Deve ser um local seco, fresco, bem arejado e iluminado, à prova de larvas e mantido sempre limpo e desinfetado. 

Nenhum produto alimentício deve ser armazenado diretamente no chão, usando-se prateleiras vazadas de material impermeável, sendo que a primeira prateleira deve estar acima de 30 cm de altura do chão. Recipientes móveis, com tampa, devem ser destinados a farinhas, para garantir a manutenção em local seco e fora do alcance de larvas e insetos. As prateleiras não devem ser fundas demais para não perdermos alimentos para trás. 

COCÇÃO

A cocção adequada no final do preparo de alimentos pode eliminar a contaminação inicial. Os alimentos podem adquirir Salmonella por vários caminhos. A completa cocção a 70°C, interrompe a ocorrência de doença de origem alimentar. A refrigeração reduz o crescimento bacteriano. Ovos (clara e gema) podem ser pasteurizados a 64,4°C por 5 minutos.

HIGIENIZAÇÃO DE VERDURAS

A lavagem de folha a folha em água corrente elimina 74% das bactérias; a imersão em hipoclorito de sódio a 200ppm (20ml de Milton - Marrel-Lepetit para 1 litro de água) durante 15 minutos, elimina 94,5% e a imersão em vinagre a 2% (20ml de vinagre para 1 litro de água) durante 15 minutos, elimina 99,8% das bactérias; e a soma de todos retiram 99,98% das bactérias. 

As verduras podem veicular Shigella dysenteriae, S. flexineri, Salmonella typhi, Vibrio cholerae, Entamoeba coli e Giardia lamblia. Não esquecer de escorrer os resíduos se possível eliminando o sobrenadante.

ÁGUA

A água deve ser tratada. Caso seja de poço tratar diretamente no local. Os bebedouros e comedouros devem sofrer o mesmo processo de limpeza que as instalações. Para isto há a necessidade de um número maior de peças. 

AVALIAÇÃO DA GRANULOMETRIA NA ALIMENTAÇÃO

CONCEITO E FUNÇÃO 

No processo de produção de ração deve seguir, o qual está baseado na manutenção da consistência, uniformidade e composição da dieta, além da qualidade e custo mínimo. Um produto de qualidade deve levar em consideração a formulação da ração de acordo com as necessidades de cada tipo de ave, finalidade e idade para o uso, mas também levar em consideração a consistência final.

A forma física tem influência sobre seu consumo e aproveitamento. Pela característica do trato digestivo das aves, elas têm mais dificuldade de consumir e digerir misturas pulverulentas, preferindo as fareladas grosseiramente moídas (ponto de areia grossa). Os ingredientes pulverulentos misturados a esse alimento tendem a separar-se e depositar-se no fundo do comedouro ou pote de venda. Este pó representa a parte valiosa das vitaminas, e devem ser aglutinadas por meio de compostos úmidos.

A melhor forma de aglutinação é a peletização, ou seja, tratamento por água ou vapor, seguida de compressão em crivos de alta pressão e secagem rápida, obtendo-se os péletes (pellets). Os péletes variam de tamanho na dependência da espécie e idade que irá consumi-lo. Podemos amassar estes péletes em forma granulado, consumindo assim mais lentamente.

O desperdício é menor nas rações peletizadas e granuladas, e o consumo de alimentos de baixa energia é maior. Com o mesmo balanceamento verificamos que os pássaros podem comer até 15% mais alimento peletizado, ganhar 25% mais peso e melhorar a eficiência em 10% em relação a ração farelada. A ração peletizada sofre pasteurização dos alimentos, cessando a auto-oxidação, permitindo melhor conservação. A ração granulada tem valores intermediários entre as rações fareladas e as peletizadas.

A granulometria é a avaliação da variação dos tamanhos dos grãos de diferentes matérias primas encontradas em uma ração. Quanto maior a variação do tamanho das partículas dos ingredientes de uma ração, verificamos que a ave seleciona aqueles ingredientes maiores e mais palatáveis (de melhor gosto), e geralmente mais energético e menos protéico. 

Daremos um exemplo prático, que você pode verificar e avaliar o consumo da ração oferecida para suas aves. Duas aves recebem a mesma ração, porém a ave 1 recebe a ração com variação de granulometria (ou seja grãos de variados tamanhos) e a ave 2 receberá a mesma ração, porém processada de forma homogênea. Analisando o consumo após meio dia, a ave 1 terá escolhido os grãos maiores e deixado os menores no fundo do comedouro, comparamos o resto desta ração com a ração original e será nítido o consumo irregular. O que esperamos da ave 2 será um consumo da ração homogênea, de forma que ao compararmos os restos com a original, não haverá diferença de aspecto. Além disso uma ave que consome uma ração com pouca variação de grãos terá a nutrição desbalanceada, e provavelmente apresentará problemas com o decorrer do tempo.

Com relação as sementes, existe uma seleção para o consumo de sementes, logicamente, mais saborosas, ou seja mais oleosas até, como por exemplo aveia, niger, nabão, colza, linhaça, em detrimento do alpiste e painço. Por isso que, não podemos exagerar nas porcentagens destas sementes ricas em óleos, não passando seu fornecimento de 40%, ou melhor ainda, fornecer de forma separada e por tempo limitado. 

Lembre-se que qualquer mudança na mistura de sementes e na alimentação de modo geral, deve ser feita de forma gradativa, caso não queira que as aves entrem em muda de penas.

FARINHADAS

As farinhadas são misturas de produtos farináceos, sementes, e ovos, com o intuito se suprir as necessidades das aves, não fornecidas pelas sementes, e facilitar o trato dos filhotes. Esta farinhada tem que ser balanceada, pois poderá ser grande causadora de obesidade, desnutrição, e morte de filhotes por carências ou excessos. 

As farinhadas devem ter gosto bom para o paladar da ave, e não deve ser consumida com exagero. Para aves adultas 2 colheres de chá por dia de uma farinhada balanceada é suficiente. 

Quando temos filhotes o consumo aumenta na dependência do número de filhotes e o potencial da mãe em alimentá-los. Nunca deixa a farinhada úmida passar a noite, principalmente aquelas que levam ovos cozidos ou milho verde fresco, pois fermentam durante a noite, e pela manhã será o primeiro alimento a ser dado aos filhotes, causando as diarréias de ninho.

O ideal seria usar farinhada comercial balanceada para cada fase de criação da ave, pois as necessidades mudam, ou então, alterar o fornecimento durante as diferentes fases. Mas existe um problema, os filhotes têm necessidade de níveis maiores de proteína, e parte das farinhadas atendem apenas as necessidades de adultos na muda de penas e manutenção. 

PREPARO DAS MISTURAS SECAS 

A mistura de pequenos volumes, como por exemplo vitaminas e aminoácidos em pó, deve ser feita com uma pré-mistura, da seguinte forma:

1. Os ingredientes devem ter o mesmo tamanho dos flocos, o alimento de flocos grandes deve ser passado no liquidificador;
2. Fazer a mistura dos volumes menores primeiro e depois acrescentar os grandes volumes;
3. Utilizar uma vasilha para mistura que tenha capacidade para 3 vezes mais o volume da farinhada final, para que o criador possa homogeneizar bem, sem desperdícios;
4. Misturar muito bem todos os ingredientes;
5. Separar uma xícara para cada kilo da mistura, e acrescentar as vitaminas e aminoácidos em pó;
6. Após ter homogeneizado muito bem esta pré mistura, acrescentá-la no restante do volume da farinhada.

Quanto mais homogênea for a farinhada melhor será os resultados nutricionais.

OVO

Os ovos devem receber alguns cuidados no preparo para a farinhada. Ao cozinhar um ovo com casca rachada, coloque um pouco de vinagre na água e a clara não sairá pela rachadura. As gemas não utilizadas em casa podem ser conservadas até dois dias na geladeira, mas sem misturar com água. Para conservar mais o ovo na grade da geladeira, posicione com a ponta para baixo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. 

BENEZ, ESTELA MARIS. Aves – Criação – Clínica – Teoria – Prática Robe Editorial – 3.a Edição 2001. 
.TOSTES, A.P. Criação de Curiós e Bicudos. Ed. Scala, Ribeirão Preto, 1997.

Fonte: http://passarinheiro.forums-free.com/alimentacao-das-aves-e-cuidados-com-os-alimentos-t46.html
22 de setembro de 2017
 
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